Vejam as boas surpresas que a vida nos apresenta!
Há algumas semanas, ia passando por acaso, por uma dessas indefectíveis lojas da Apple (que design bonito para uma loja de hardware não é?) na Union Square, cidade de San Francisco, num dia desse verão americano (um frio do cacete, de acordo com nossos padrões tropicais!), quando escutei o som de música e uma voz imponente – aparentemente ao vivo – vindo do andar de cima.
Não dava para deixar de conferir: abandonei rapidamente o piso inferior deixando a Apple e seus nerds (funcionários e clientes, evidentemente). Dei de cara com um belíssimo show, num salão descolado, com cenário digno de um filme tipo Blade Runner! A diva cantante era a Anja Kotar. Que visual e voz!
Ridley Scott que me perdoe a lembrança mas a Apple caprichou nesse espaço e na proposta. Receber num espaço despojado e imponente, talentos que circulam no mundo musical americano! E quer saber? De graça! É um presente para os frequentadores e mordedores (ou mordidos) da Apple! NuncaseSabe!
Vejam a seguir o vídeo da Anja Kotar que nasceu em Liubliana na Eslovênia. Compositora, cantora e estilista! Aos 21 anos de idade. Musa do pop americano nos últimos tempos!
Mandando ver com seu repertório rebelde e sensível, sem dúvida surpreendente para alguém tão jovem, a guria (como dizem os gaúchos), aos 15 anos emigrou com toda a sua família para San José na California, onde passou sua adolescência. Buscava seguir sua vocação musical e teve o apoio da família para uma decisão tão importante.
Estudou música clássica no seu país de origem e se destacou num concurso nacional na televisão chamado Slovenia X Faktor tendo sido escolhida a melhor cantora. Debutou como compositora e cantora pop no cenário americano com o álbum NOMAD, realizado com o apoio de “crowdfunding”. Aperfeiçoou seus dotes musicais no prestigioso Berklee College of Music e revelou um gosto especial para a moda com destaque para vestuário e jóias. É proprietária de uma loja online.
Acompanhada de apenas uma guitarra, pude testemunhar suas qualidades como cantora-compositora-estilista nessa performance na loja da Apple. Enquanto desfilava sua potente e bela voz pelo ambiente, um projetor mostrava seus modelitos num telão valorizado pela qualidade da projeção. Impossível não se deslumbrar e ficar fã!
Suas músicas nesse primeiro álbum NOMAD falam das dificuldades da vida de imigrante e adolescente nos Estados Unidos mostrando toda a rebeldia e inconformidade natural desses tempos. A garota promete e certamente merece atenção de quem gosta de pop music.
Curtam as fotos e o pequeno “snippett” (não conhece?!) dessa performance que tive a sorte de assistir:
Gostaram? Eu também!
Beto Benjamin
Confira mais dessa promissora artista em seus canais oficiais:
Site Oficial: www.anjakotar.com
Instagram: @anja.kotar
Spotify com seu novo álbum NOMAD (2017):
Vejam no que pode dar uma conversa!
Comentei dia desses com meu amigo e poeta Érico Braga, que havia escrito um poema sobre a gravidade e, que o próximo seria sobre o espelho, já que a sala onde o primeiro se inspirou contém espelhos. Muitos espelhos…
Fui logo “vendo” imagens partidas e outras lembranças de coisas – nem tão justamente repartidas – pela vida: o eu, o nós, as idas e vindas, os amores, o final da partida (ah! a Croácia!) e a partida final (o xadrez do Bergman com a Morte)… Risos… Haja imagens, partidas ou não!
Foi exatamente com um riso – meio que zombeteiro, meio que de menino travesso – pronto para aprontar mais uma estripulia (poética, diga-se de passagem) que Érico me olhou e “enxergou” os meus espelhos…
Sacanamente – como era de se esperar e do seu feitio – me mandou essa pérola que vai abaixo, com dedicatória e tudo. Disse também que:
“este não é o seu poema do espelho, tampouco o meu poema do seu espelho, ou, ainda, sobre o espelho meu, espelho meu, tem alguém mais poeta do que eu.”
E ainda arrematou:
“Fiquei a remoer-me com aquilo que te escrevi sobre os lugares comuns dos espelhos partidos (e a música beijo partido e os retratos rasgados ao meio) e fiquei a pensar se ainda é possível fazer poemas sobre o tema e como fazê-los.”
Portanto, tenham cuidado quando comentarem alguma coisa com um amigo. Redobrem-nos, se esse amigo for poeta… Se além de amigo e poeta, for também sacana, não tem jeito! Relaxe e vá se olhar no espelho! Foi o que fiz!
ANTIPOÉTICA SOBRE ESPELHOS E EIDÉTICAS
Ninguém está quando estamos sozinhos
e a imagem, aquela, que me percebeu,
soube não a ausência do meu próprio eu,
senão, porém, a presença cínica do espelho
repartido por um ridículo
passe-partout que já se perdeu
[que mão – menor que a do destino –
teria tido a audácia de ferir, sem nem tocá-las,
a minha própria imagem
e semelhançazinha?!…]
Tivesse existido – eu – a assistir ou assistido a ou em ou por ou a ter
aquela sala, diante de um vidro
de argentado níquel,
adivinhando o porquê de um peão otário
ter colocado a fita frágil
só para impressionar um moço
de modo inútil e, daí, fictício;
e porque, eu sei, tem tudo a ver comigo
mesmo, não tendo estado, havido,
em, ou aquela sala, ou em momento algum,
em minha própria vida, sequestrada desde o início;
insisti-me (como agora me insisto),
em ver-me em dois, e só porque
dois é melhor que zero,
(embora deste mais se me adivinhe);
assim, agora, dividido, posso dividir o zero fráctil
pelo infinito – e esta matemática vindicta
muito se me admira e conforta, como deveria,
o Ser que, se, quase, não se suporta,
quer e sempre quer – e repetido –
o querer.
Pudesse eu ser Poeta (como a bilionada de singularíssimos
que se auto-confortam em roda
e se aventuram ao mínimo, acariciando-se ao máximo),
dividir-me-ia em fraturas-metáforas e figuras e versos
de coisas íntimas;
porém, a minha engenharia é metafísica
e muito mais propícia e esperta do que qualquer
poética
do escrever.
Pudesse ter testado a fenomenologia
intrínseca de me ver na sala do espelho
em pelo e recortado pela crepe
anódina e ilegítima, teria sido, eu, o poeta
que este mundo havia parido,
só para o embevecer;
mas, como lá não estive, e nunca estarei,
não sou-o, e nem o se Rei,
assim, como qual – e o tal-, não tenho sido,
nem inteiro,
tampouco, repartido…
Minhas faces têm frente e verso, como toda vulgaridade
da matéria-e-espírito – qual se fosse jornalística-e-
literária –, mas, ainda assim, não cabem
em um reflexo de lados, ambos,
mefistofélicos,
pois que por demais
arbitrários
Nunca existiu, por cá, conflito, pois sempre fui o fraco
que deixava assumir
o destemido,
e este simpatético princípio garantiu-me
feitos e afetos
sem nunca ter-me vendido
(ou, mesmo, me obrigado
a qualquer fato)
Nunca houve em vida a morte, pois tudo era a serviço
(e não um jogo de cartas)
de parte a parte, e irrestrito – espécie de green card pelo qual
as linhas conduziam, sem delimitar espaços,
nem mesmo agora,
que estou a morrer
por uma imagem
que – eu sei – é minha
só por Ser.
Nunca houve tais divisórias (e como as queria!); e
queria muito que esta fosse
a verdade, mas a verdade é uma simplória,
plena de alfândegas e vizinhos e retalhos de geografias com
coisas não inacreditáveis
em línguas
traduzíveis…
Por isso, retorno – como um covarde – a essa “tracejada” infame
e inadequada; esta linha tão trágica que jamais
repartiu a fotografia
da minha mágoa,
mas fosse ela, própria,
que a desenhasse
de fragmento a pixel
sem levantar o lápis
num só rabisco abstrato.
Retorno, solícito, e jamais humilde,
para o fanquisque do carrasco
essa linha pontilhada
no cangote do novilho – rastro de teclado
fazendo meu desenho retrato
com uma faca de lacre
que não o ferisse,
mas o fechasse…
ante o discurso de uma página
de vidro,
faço-me saber que posso, talvez, também,
rachá-la, agora mesmo, fácil,
sem desespero ou com o álibi dos desesperados,
– mas geneticamente grato
pela imagem emprestada -,
bastando, para isso,
tanto em texto quanto em sílica,
só atirar, pra frente, um ponto
ou inventar,
pra sempre,
um traço –
Morro Azul (Paulo de Frontin – RJ), 06_07_2018

Olhe só a beleza da composição pictórica dessa capa de álbum, com ilustração de Francisco Freitas.
“Dentro de mim cabe o mundo” é o show que a cantora e compositora carioca Monique Kessous batizou para apresentar seu último CD – o terceiro, que leva o mesmo nome – e está rodando o Brasil.
Fui assistí-la em Ipanema e me encantei! Carioca, bela e com um lindo sorriso faz um show divertido – às vezes engraçado, principalmente quando conversa com o público.
No show pude apreciar sua vivacidade, as composições diversificadas, sua ligação com o Aqui e Agora, a atualidade das canções que apresenta.

O Mundo Não Cabe Nela? Foto: Mariana Lemos
Descomplicada e multi-instrumentista, a artista diverte o público numa sessão onde não se nota o tempo passar. Ao contrário: “poxa, já está acabando?” é a pergunta que se faz! E ainda bota o público literalmente na roda… Os músicos que a acompanham não deixam por menos!
Ao chegar em casa não pude deixar de mergulhar em sua discografia e escrever este post em sua homenagem.
Encontrei muitas pérolas no caminho, e trago algumas para vocês: Aqui tem é uma delas… Abre o novo CD e você pode ouví-la no Spotify abaixo…
Olha só o que a Monique faz na companhia do impagável Ney Matogrosso, em letra com parceria de Chico César!
Quer aprender a cantar com ela?
Cante junto ao Lyric Video abaixo:
E que tal essa balada, Volte para Mim?
Confira abaixo as pérolas que Monique compôs para seu mais recente álbum :
Acompanhe o dia a dia da Artista em seu Instagram Oficial:
https://www.instagram.com/moniquekessous/
ou visite seu site:
https://www.moniquekessous.com.br
Bon Voyage,
Beto Benjamin
Somos alguns, poucos-muitos
salão amplo – luzes e espelhos
corpos em movimento – olhares descomprometidos
juntos – diferentes razões, mesmo propósito.
Mestre e método – com eles
nunca perguntamos direito para onde…
Vamos!
Com algum esforço 
obedeço
– logo eu, a desobediência em Pessoa!
Objeto mas, ainda assim, sigo o comando:
ergo vagarosamente – um braço:
O do abraço!
Sei que desafio tua força de atração;
temeroso – espero reação
teimoso, penso:
quanto custará
rebelde movimento?
o braço erguido
demasiado pesar
como notícia de morte inesperada!
O resto do corpo – grudado ao chão…
desgastado, de escuras tábuas…
sofridas por infinitas passadas de descalços lúdicos pés
Olho de soslaio, vejo o corpo inerte
contemplo a mão estendida
que consigo arrasta
prolongado pulso-braço-ombro…
quase tudo!
Com suave deslocamento, tento o indizível…
juntos – arroubo e atrevimento
blasfemo e arredio
busco quem sabe…
Deus!
Sem pestanejar, executo mestras ordens:
sim sinhô!
Nossos corpos
de tanto se erguerem
relutando
cansam, balbuciam, estremecem!
ensaiam
ondulantes movimentos – se sucedem!
serpentes mágicas
dançam!
bailarinos invisíveis de piano-melodias
divagam! Devagar, com pesar, impressão e esmero
braços erguidos, avançam esculpindo o ar…
Não re-sis-tem!
Sombras e luzes
primitivos gestuais
lembranças kármicas,
de escuras e invernais cavernas
coletiva – abissal procura,
ofegantes transpiram
em preto e branco…
Se tu me queres rastejando,
Sibilinamente replico…
Abatidos prostrados membros,
acusando o golpe
retrocedem…
Mãos escancaradas se apoiam no chão-tablado!
Corpos se elevam – estranhos impulsos te provocam – in-sis-tem!
Submissos cérebros, transmissores sinápticos de ordens e da vontade.
Formas, espaços-tempos, ventres, umbigos, seios: inspiram, suspiram
quase piram…
Nesse instante vida vibra, lateja, aquece, sofre, sua
esdrúxula apoteose de belos troncos nus – feitos para uns
formas nem tão perfeitas – feitas para outros
entre si diálogos-mudos, murmuram incompreensíveis filosofias estoicas.
Parecem contemplar Platão
que surtado do fundo de sua caverna,
cospe seu discurso-ódio pelo
Artista-Poeta!
De repente não se sabe donde,
ecoa a gargalhada
sinistro som, solfejo puro, ópera inacabada.
Atrasado, já perdoado e interrompendo tudo – chega um Hiato…
que entra direto,
na dança incontida – descontrolado!
Me carregam, indesejado – no meio do nada.
Flutuo sem peso – nem massa…
Arquejo…
me vejo – me ergo todo por completo
meneio, apenas a cabeça…
e tateio os quatro cantos
das paredes mentirosas deste mundo
não deixo barato!
Atento a tudo
nada vejo,
a tudo escuto
Dou-me conta enfim:
não é corpo meu que ali está!
Surpreso levanto atônitos olhos.
Não era mesmo!
Quem se atrevia?
Perplexo e admirado, de susto tomado reconheci: uma alma,
juro que não sabia!
Impressionado com surpreendente inversão
vi que o erguer do braço fisicamente
não correspondia…
era pura ilusão:
“Corpo, metáfora do tempo…”
entendo o que dizes
potestade das forças naturais…
magneto invisível e ultrajante
que tudo aprisiona e limita…
Amor? não poderás ser, jamais!
Rio
e ciente de teus poderes, estou!
Mas, se desejas mesmo demolir meu esforço
– eloquente e assombrada criatura –
por que sussurras bajuladora, ao meu ouvido:
“Deixe que Eu faço tudo
meu poder é real e invisível
bobo, não percebes?
larga teu peso solto
deixa
que eu resolvo”
Ao redor, busco as pessoas
donde surgiu infame fala?
silêncio…
sem resposta,
só me resta
viajar fundo
para dentro, de mim!
Contudo, num golpe rápido, devolvo e brado:

“Recuso tua proposta vã.
vai-te daqui…
ninguém te quer…”
Lembro bem oh! Majestade
não faz tanto tempo assim…
há apenas alguns anos-luz viajando tranquilo por esse universo infinito…
percorrendo o belo cosmos, embalado por tua universal constante,
lá pela altura de Andrômeda, dei de cara com uma estrela errante…
Era uma Supernova
estava irreconhecível.
Quase chorou!
Que cena! já pensou?
queixou-se amargamente de ti e da tua cúmplice ação
de estrela de primeira grandeza, graças à tua torpeza,
foi reduzida a estrela-anã!
Ora preciosa Rainha,
sei que zelas muito por tuas amizades:
portanto, fiques atenta para o que a teu respeito pensa
Isaac Newton, nosso matemático e teu cupincha…
Tu que tanto lhe deves o nome e a fama,
saibas que ele já decidiu rever seus cálculos, modificar tua equação.
Comovido com o drama da recém-nascida estrela – a Supernova,
quer arrancar de vez tua máscara vilã!
Indeciso ainda, não sabe quem cai primeiro:
se ele mesmo, tua constante ou a maçã!
Sei que ignoras solenemente meus impulsos!
Sei que sarcasticamente não dás a mínima,
para minhas tentativas de enfrentando, te abolir.
Já que impotente nesta luta sou
quero te propor um pacto, outro mister:
Manténs as estrelas no céu
para que não caiam de uma só vez
sobre minha atormentada cabeça…
e, por favor, insistas com a lua,
para que permaneça lá em cima, bem distante
assim, na Terra os poetas não precisam morrer mais!
Por fim, um último pedido:
contenhas com tua força bruta
os astros nas suas respectivas órbitas:
ordem, ordem no universo!
compreendes, Majestade?
não é pouco o que tens a fazer…
e se não atenderes meus pedidos
me vingarei duplamente pois
enfrentarás sozinha
a ira de Aguirres deuses
e de baianos Orixás!”
…………………………………………………………………………………………………………………………….
Aqui de volta ao mundo-chão, a matéria-corpo refuga, recusa, tergiversa,
corre atrás
do pensamento
se esgueira – balança
chove, sopra, vento e eu!
Me amarra – me prende
nessa cota-plano-zero rasteira – vil
tua companhia sedutora – opressora
me mantém imóvel – orbitando
o buraco negro do meu umbigo!
Assim me dou por satisfeito…

Aprisionado, meu corpo se nega
maldito destino aceitar
Minha alma em protesto aberto e solto
desafiando e zombando de ti Gravidade,
voa…
Beto Benjamin
Dedicado aos colegas de Alongamento da turma de Jean-Marie Dubrul na Sauer Danças – RJ
Mayra Andrade! Você já conhecia essa menina?
Nascida em Cuba, seu padrasto era um diplomata do Cabo Verde e desde cedo se empolgou pela música. Cresceu no Senegal, Angola, Alemanha e no Cabo Verde onde estreou em 2002. Não parou mais… Apaixonada pela música brasileira (adora Caetano Veloso!) dá um show de bola cantando nossas músicas sem sotaque, cheia de força e com um charme especial que a vida lhe deu! Atualmente vive em Paris e seu repertório inclui canções em português, francês, inglês, espanhol e crioulo (língua nativa do seu querido país Cabo Verde)!
Para quem não se lembra, Cabo Verde é um arquipélago com dez ilhas, ex-colônia portuguesa situada a 570 km da costa Ocidental da África e na música notabilizou-se por ser o país de Cesária Évora, a maior cantora cabo-verdiana cuja fama é reconhecida mundialmente. Apesar de se situar mais acima do Brasil, Cabo Verde na verdade parece – de sua distância africana – contemplar eternamente o nordeste brasileiro. Precisa dizer mais alguma coisa?
Falam que Mayra é a nova Cesária Évora. Vai chegando de mansinho, como quem não quer nada e pá! Rosto muito expressivo e forte, sua presença é marcante e sua figura se impõe na hora. Quando canta então não sobra para mais ninguém. Veja só o dueto que ela faz com um cantor francês no vídeo abaixo!
Como o seu país, o trabalho musical de Mayra já é um arquipélago de idiomas e ritmos!
Viajando e vivendo entre tantos oceanos, senhora do World Music e de tantos outros ritmos musicais, Mayra Andrade já gravou quatro CD´s: “Navega”,”Stória, Stória”, “Studio 105” e “Lovelly Difficult”. Ganhou prêmios importantes em vários festivais e concursos mundo afora… Ela não é brincadeira! Por isso separei para nosso deleite, três vídeos mostrando uma infinitésima parte de seu já oceânico trabalho musical.
Confira o show que Mayra dá nesse dueto com o cantor Benjamin Biolay! Ela cantando em legítimo português do Brasil (sem sotaque) e ele, em francês! Olha só a música que ela escolheu! Para Chico nenhum botar defeito!…
Escolhi ainda outra canção, “Dispidida”, do compositor cabo-verdiano já falecido Orlando Pantera onde Mayra canta em crioulo (sua língua natal) acompanhada de músicos de sua terra Jon Luz, Sérgio Figueira e Jair Pina. Aprecie a beleza de ritmos e acompanhamentos!
Esse vídeo faz parte de um documentário sobre Mayra intitulado Kontinuasom.
E para finalizar o post, veja só a interpretação que ela dá à belíssima composição nordestina “Lamento Sertanejo” de Gilberto Gil, com os acompanhamentos dos craques Hamilton de Holanda e Yamandu Costa. Dispensa comentários, não é?
De arrepiar!
Salve, Salve, Mayra de Andrade e viva o Cabo Verde!
Beto Benjamin
Notas:
- Quem tiver interesse em conhecer melhor seu trabalho clique em:
www.mayra-andrade.com - Confira o último álbum de Mayra, de 2013, Lovely Difficult
Em tempos de Carnaval e em especial do Carnaval de Salvador, que participo há décadas (quem não conhece não faz ideia da festa que é!), escolhi uma música do cantor e compositor Saulo Fernandes, lançada em 2013 chamada Raiz de Todo Bem, para representar meu sentimento de estar todos os anos no Carnaval dessa cidade africana e ao mesmo tempo prestar uma homenagem à terra onde nasci, a Bahia.
A primeira vez que escutei essa música foi na voz do menino Mika, nosso querido vizinho do Boulevard das temporadas de verão na ilha de Itaparica. Nas serenatas na porta de casa, ele sempre aparecia e cantava Raiz de Todo Bem, com seu jeito de moleque e uma harmonia incrível para sua idade… Marcou. Gravei na memória. Sua cadência e ritmo de reggae surpreendentes ecoavam como um hino. Pelo menos para mim, Mika a tornou inesquecível… África iô iô…
Essa canção também me fez recordar que parte de meus ancestrais veio para cá tangido pela fé. Vieram de terras distantes do Oriente Médio diretamente para a Bahia, outro lugar de muita luz, encantamento e fé. Me fez lembrar ainda, das caravanas de camelos de desertos imensos e longínquos, dos relatos de meu avô árabe quando era criança. Pois é com essa origem – de um lugar também misterioso, povoado de sonhos e surpresas – que me vejo, trazido a esta África, quiçá por uma combinação improvável de eventos históricos, que haja alinhamento de planetas para explicar! Assim, aqui nasci…
Logo eu – poeira das estrelas – fiel e único depositário da minha própria existência! Já que fui escolhido pela loteria do universo para nascer e se tornar (estrear diriam Caetano e Gil com as bençãos de Betânia e Gal) parte dessa baianidade nagô, saúdo o Benin e, dispenso qualquer tentativa de explicação – esotérica ou não – para o GPS do meu nascimento. Simplesmente aceitei!
A fé, o santo, os escravos, o caboclo, o candomblé!
África sou eu!
A pipoca dos trios, a maniçoba, o Boca do Inferno, Jorge Amado, os mestres Bimba e Pastinha, a saída do Ilê no Curuzu, o Olodum e seus tambores, o Araketu, o som arrasador do trio dos Novos Baianos, a guitarra impetuosa de Pepeu e Baby, a menina que ainda dança; o trio Armandinho, Dodô e Osmar com Vavá Furquim fazendo o som e eu de contra-regra; o trio de Daniella Mercury, Luiz Caldas e seu fricote, Moraes Moreira, o desfile das “bonecas” e o encontro dos trios no alvorecer das quartas -feiras de cinzas na Praça Castro Alves, o trio Tapajós, o bloco do Jacu, os Internacionais, a banda Eva, Ricardo Chaves, Saulo Fernandes, Ivete San Gallo, o Asa de Águia, o Camaleão, a Timbalada, o arrastão e os Zárabes de Brown, o Chiclete com Banana, Bell Marques, os Filhos de Gandhi, os Apaches do Tororó, os bailes do Bahiano de Tênis, o acarajé e o abará, o sarapatel, a moqueca de camarão de Dadá, o vatapá, o xinxin de galinha, a carne do sol, o caruru de Cosme, Damião e Doum, o filé do Juarez, as festas de largo, as baianas e a lavagem do Bomfim, a procissão de Odoyá, as festas imperdíveis de Licia Fábio, o terreiro do Gantois, a bata que aprendi a usar com Guilherme Hippie, a gangue de Aratu, os ensaios de Carlinhos Brown no Candyall Gheto Square e no Museu do Ritmo, os atabaques… enfim, a Bahia! A fé no Senhor do Bonfim… Oxalá!
Tudo isso era apenas para apresentar a música de Saulo, com os negros versos de Somos a Bahia declamados por Aloisio Menezes, na introdução do vídeo abaixo!
Digam se não dá vontade também de gritar:
Baiano sou eu!
Somos nós!
Beto Benjamin
Raiz de Todo Bem
Salvador, Bahia
Território africano
Baiano sou eu, é você, somos nós
Uma voz, um tambor
Oxente
‘Cê num’ tá vendo que a gente é nordeste?
Cabra da peste
Sai daí batucador
Quem foi seu mestre?
Capoeira
Se plante
Lá vem rasteira
Pé de ladeira
Preciso da fé no Senhor do Bonfim
Pra mim, pra você, pra mim
Um chinelo de couro, uma bata
Uma benção, mais cinquenta centavos de som
Aumenta o som!
Africa Iô iô
Salvador, meu amor
A raiz de todo bem, de tanta fé
Do canto Candomblé
África Iô iô
Salvador, meu amor
A raiz de todo bem, de tanta fé
Do canto Candomblé
Nunca se Sabe