Nilton Souza: Fotógrafo ou Poeta Visual ? Pode ficar com os dois… Parte 1

Conheci o Nilton Souza nos idos de 1976 quando, recém-formado, eu trabalhava num projeto de engenharia – avançado para aquela época no Brasil – onde, um consórcio franco-brasileiro construía num canteiro na Baía de Aratu, na Bahia, três plataformas de concreto para a Petrobras, que posteriormente seriam rebocadas pelo mar e, instaladas nos litorais do Rio Grande do Norte e Ceará. Fiz, até, uma viagem a bordo de uma dessas plataformas, mas isso será objeto de um outro post, qualquer dia desses, pelo inusitado e divertido da aventura marítima.

O caboclo Nilton, me chamou logo a atenção pois, era um dos poucos que tinha aparecido no canteiro de obra que, poderia disputar – com grande chance de vencer – o torneio de “magreza”, do qual eu me julgava, líder absoluto. Fazíamos parte, de um grupo de gente magra, em Salvador – mas, bote magra nisso – liderados naquela época tropicalista por Caetano Veloso e Raul Seixas. Mas, não foi só isso, que despertou a minha atenção: ele, tinha uma maneira empolgada de falar – gaguejando levemente – quando se entusiasmava, porém o mais impressionante era, o que ele mostrava: as suas fotografias.

Havia certamente algo diferente, no seu trabalho e, era difícil dizer – de primeira – o que era.

Suas fotos tinham “um brilho”, enchiam os olhos de satisfação e, apresentavam uma qualidade incomum. Na foto, a plataforma parecia querer “saltar” do papel e, entrar na vida real, como se já não bastasse existir, no mundo concreto, com o perdão do infame trocadilho! Devo avisar aos amigos que, assim como os uerês, os trocadilhos, também, me perseguem… Desde que, menino ainda, descobri o seu significado.

Assim, nasceu uma amizade entre um fotógrafo-artista e, um apreciador das coisas do mundo, que resistiu todos esses anos e, permanece firme e forte. É verdade que, com o passar do tempo, nos distanciamos – viajei também muito pelo mundo – mas, reencontrar Nilton, ao longo da vida, era sempre motivo de grande alegria. Não faltava assunto e, ríamos muito: das coisas, das pessoas, de nós mesmos e, sobretudo, dos acontecimentos pitorescos, da nossa querida Bahia.

Passados todos esse anos, o caboclo, assim como eu, ganhou uns quilos a mais e saímos – com louvor – do rol dos “super” magros. Nilton, se desenvolveu profissionalmente, incorporou, ao longo do tempo, todas as mudanças tecnológicas dos equipamentos fotográficos – que ele fazia questão de estar na vanguarda -, desde que, se meteu no ramo. Imagine que, foto ainda se chamava retrato e, câmera, máquina fotográfica!…

Pois bem, tudo isso incorporado e, devidamente dominado – usando um termo atual -, soube cuidar de sua sensibilidade como poucos e, de um simples fotógrafo industrial, transformou-se num artista visual, de primeiríssima linha. O julgamento, não é só meu: suas fotos estão aí, para quem quiser ver e apreciar. Pois é, quem diria que o caminho seria assim? Ninguém sabia, nem o próprio. Mais uma vez, o refrão se aplica: Nunca se sabe… Ainda se emociona – do mesmo jeito de 40 anos atrás -, quando se depara com algo extraordinário: seja a foto de uma pessoa, de uma indústria ou, de uma paisagem. O leve gaguejar, também, não mudou…

A ideia de entrevistá-lo, expor o que pensa, sua história de vida, o que é importante para ele e, em especial, mostrar um pouco do seu trabalho, veio naturalmente e, tenho certeza, que vocês poderão saborear sua linguagem simples, sem floreios e, ainda, se deliciar, com as verdadeiras “obras de arte” retiradas de parte do seu imenso trabalho, como fotógrafo e artista. A conversa que postarei em nosso próximo encontro, nesse espaço de vivências, ocorreu numa tarde, do festivo mês de janeiro de 2015, em São Salvador, capital da Bahia, estado onde dizem, que as pessoas não nascem: estreiam…

Para dar um gostinho do que está por vir, ilustrando a entrevista do próximo post, veja algumas das maravilhas, capturadas por Nilton. Até logo mais.

9 comentários em “Nilton Souza: Fotógrafo ou Poeta Visual ? Pode ficar com os dois… Parte 1

  1. Adorei a reportagem, conheço o trabalho do Nilton Souza , o qual conheci a décadas atrás na ODEBRECHT; Parabéns a Benjamin e equipe, sei que devem ter uma lista enorme de figuras ilustres a publicar, e como sugestão indicaria Aleixo Belov , por suas diversas qualidades, e Antonio Figueiredo de Lemos Filho, pela dedicação e trajetória na ODEBRECHT, inclusive contribuindo para formação de hj grandes Gestores, Diretores e Empresarios. Abs. e sucesso para todos.

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  2. belas palavras, belas fotos, nunca se sabe, jah nasceu sabendo. Siga, em frente ou pra outro canto, mas siga. Parece q teremos uma estreia apos estreia neste novo espaço.

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    • Caro Digo. Aproveito para responder aos seus comentários incentivadores de uma única vez: O Nunca se Sabe espera merecer a atenção de seus amigos e leitores como você. Breve vamos alterar a página inicial aceitando sua sugestão e facilitando a leitura do site. Grande abraço…

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