Depoimentos de alunos… (2)

Claudia Corbisier

Claudia Corbisier

Claudia Corbisier: Em 2003 andava procurando uma referência de aulas de dança. Uma amiga pernambucana arretada, bem irreverente, por acaso me disse que sua filha estava fazendo aula com um tal de Jean-Marie e que estava adorando! Logo depois fui almoçar no japonês do Shopping da Gávea, e avistei um homem muito interessante, com jeito de francês, numa mesa com algumas pessoas. Pensei na hora; é o Jean-Marie. E era. Fui falar com ele, me apresentei e disse que começaria a fazer suas aulas. Naquele momento cósmico não sabia que ele seria um marco em minha vida. Hoje, antes e depois de Jean Marie. Peço a ajuda do filósofo Baruch Spinoza para falar sobre a experiência de fazer as aulas de alongamento e de ballet clássico do Jean-Marie Dubrul. Spinoza fala que “os bons encontros potencializam o corpo e alma”.  Do meu ponto de vista, nenhuma frase definiria melhor o que acontece quando Jean entra em nossas vidas. Com seu jeito francês já tão abrasileirado que muitas vezes não sabe mais qual é a língua que está falando. Talvez por isso, tenha criado um quase dialeto que nos diverte e encanta a todos.Movimentos. Fluxos. Palavras. Gestos. Música. Tudo isso em harmonia potencializa nossas vidas de maneira inenarrável. É preciso viver a experiência. Mesmo pra quem gosta das palavras e trabalha com elas como eu faço, tenho sempre muita dificuldade em descrever o que acontece nos encontros, sempre únicos, com nosso professor de dança e de vida. De novo. É preciso experimentar. E mudar a vida para sempre.

david pinheiro

David Pinheiro

David Pinheiro: Essa aula, esse trabalho mudou a minha vida. Há 5 anos atrás eu era outra pessoa. Estava em casa, assistindo a um Festival de filmes que tem no TCM chamado “os cem filmes que você devia ver antes de morrer“. Um deles, era um filme muito antigo, americano, que contava talvez a história da primeira família do “show biz” na Broadway. Um ator muito conhecido por nós aqui, que não estou lembrando o nome. Era conhecido como “inimigo público número 1” mas, era um grande dançarino. Vi aquele homem no filme já numa idade mais avançada, dançando. Então disse para mim mesmo: O que é que eu estou fazendo aqui que eu não vou para a aula de dança ali em cima na Sauer? Isso foi em dezembro de 2009. Estou aqui até hoje. Sou outro homem. Mudei minha concepção de vida, a maneira de encarar o meu trabalho. Claro que isso me trouxe também modificações que me criaram complicações na relação com a vida, com o meu cotidiano. Mas, me tornei outro homem. A minha voz mudou. Tudo meu mudou. Foi fundamental. Atribuo isso a uma mudança, primeiro na respiração. A profundidade da respiração. Ela faz com que você se tonifique, se re-tonifique diariamente. Se você prestar bem atenção se respira profundamente em cada aula pelo menos umas 200 vezes. Isso já modifica completamente sua história interior. A relação com o espaço, a segurança, o equilíbrio. Eu faço (ballet) clássico então estou trabalhando bastante – depois de velho, que eu tenho 64 anos, não sou nenhum garoto –  vários lóbulos no meu cérebro. Estou num espetáculo agora que melhorei mil por cento como ator. Eu represento com todo o material adquirido aqui com o Jean-Marie. Isso vale para o corpo, para o espaço, com o público, na relação. Debito tudo isso à dança. Acho que é dançar para não dançar. Isso é fundamental.

Vera Gertel

Vera Gertel

Vera Gertel: Faço esse trabalho por duas razões: saúde e estética. Hoje não há em parte alguma do mundo um médico que não recomende às pessoas fazerem exercícios físicos. É bom para tudo: para a idade, para não enferrujar, para o coração, para a respiração, para uma série de coisas. Claro que há uma razão estética também. Ninguém gosta do que é feio. Então existe uma tendência quando a pessoa envelhece para engordar, porque o metabolismo é mais lento. Todos gostam de conservar o corpo e a musculatura etc. A diferença entre uma musculação comum e a aula de Jean-Marie é que aquela para mim é muito tediosa pois se trabalha cada músculo separadamente. Você fica lá. Vai mexer o braço. Aí uma, duas, três, quinze vezes… Abdominal, não sei quantas vezes. Você está mexendo só o braço, só o bumbum, só o abdômen, tudo muito separado e mecânico. Não há emoção naquilo que você faz. Não há uma consciência corporal no exercício que você faz na musculação. Enquanto que o trabalho de corpo generalizado – como é o caso do método do Jean-Marie – é um auto-conhecimento do seu corpo.É impossível fazer a aula do Jean-Marie se não tiver consciência corporal. Se não estiver ligado naquilo que está fazendo. Então acho que chamar de Alongamento é muito pouco. Porque na aula do Jean, o método é o seguinte: você trabalha durante uma hora, uma hora e pouco o corpo todo, quer dizer do fio do cabelo até a ponta do dedão do pé. Sem parar. O tempo inteiro você está mexendo o corpo todo. Isso para mim é o mais importante. É a única aula que mexe com a musculatura das costas. Eu fiz muitas aulas de musculação durante muito tempo e não conseguia mexer com a musculatura das costas. Aqui mexe em tudo. Acho as pessoas – que fazem a aula com Jean-Marie – muitos especiais, vão logo criando uma amizade. Porque não é qualquer um que entende esse método. Por isso acho que as pessoas novas que chegam deveriam pelo menos primeiro experimentar. Ter uma primeira aula gratuita para conhecer o método corporal dele. Ver se gosta. Ele costuma chamar de preparação para a dança. Acho que é mais isso que alongamento. Você faz uma esforço monumental na aula sem parecer, sem se dar conta e num ritmo de tai chi. Sem perceber. Porque todos os movimentos são muito lentos mas, exigem muita força. Não é todo mundo que se adapta a fazer um exercício que é lento. Não é qualquer um que gosta do roteiro musical que ele proporciona – que é excelente – mas não tem nada a ver com heavy metal!

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