Sendo este o primeiro vídeo a ser postado no Nunca se Sabe, abrindo a Galeria de Vídeos, devo dizer que fiquei fascinado quando me deparei pela primeira vez com esta obra, que junta as vozes e interpretações de Andrea Bocelli e Dulce Pontes, cantando, respectivamente em dialeto napolitano e em português, ilustrado por imagens originais, ousadas e vibrantes que nos fazem, literalmente, “entrar na barca louca e perder o norte”…
Espero que vocês apreciem!
Beto Benjamin
Publico abaixo mais três depoimentos de alunos do Alongamento do Jean-Marie Dubrul. São os depoimentos de Aline, Wanda e Cida. Curiosamente, um deles está escrito em francês. Certamente, homenageando as origens desse grande mestre do Alongamento e do Ballet.
Beto Benjamin

Aline Juruena
Aline Juruena: Trabalhar o corpo de forma consciente, na minha opinião, é a melhor forma de equilibrar o coração e a mente. E é isso que faço, desde 2003, nas aulas de dança do meu grande mestre Jean-Marie. Definir sua aula é um desafio. Nunca experimentei nada igual. Aprendi com ele a aceitar minhas frustrações e por isso mesmo, às vezes, consegui ir além.
Entendi a grande importância da respiração, para viver cada sensação do movimento e, o sentido de estar cem por cento no momento presente, com o foco certo do olhar. Assim, mudei meu corpo, minha maneira de enfrentar o mundo e, principalmente, aprendi a me amar cada dia mais. Na sua classe, todos podem entrar: ex-bailarinos, dançarinos, quem nunca dançou na vida, pessoas de todas as idades. O que importa, é a disposição para a superação e transformação de cada um.
O resultado, é um bem estar físico e mental, aumento da auto estima, confiança diante da vida, sensação de liberdade e saúde. Essa técnica mudou a minha vida. Me sinto privilegiada por ter encontrado o Jean- Marie e, ele sabe, o quanto o amo e sou grata de todo coração.

Wanda Costa
Wanda Costa: Selon lui, Jean Marie, mon maître préféré, “je le poursuis depuis très, très longtemps”… En fait, depuis au moins 15 ans, j’ai le privilège de fréquenter ses cours et de me sentir revitalisée par sa sagesse de corps et d’âme… Professeur d’allongement? Maître de ballet? Ou plutôt Philosophe du mouvement?
Celui qui nous apprend à danser la vie, “à faire du poids du corps un allié” et à se regénérer… Pour ne pas degénérer… Et si j’écris en français, c’est que nous avons une autre affinité: le fait d’être professeurs et l’amour pour la langue française.
Alors, mouvement, rythme et son se retrouvent dans le corps qui parle ou dans la langue qu’on danse. Et ce ne sera jamais assez de le remercier pour le partage, pour sa présence, ses enseignements, son esprit… Et surtout pour l’émotion qui naît de la musique qui ne pourrait manquer au paysage.

Cida Di Franco
Cida Di Franco: Conheci Jean-Marie em 2006 através da minha comadre. Jean registrou um milestone na minha vida! AJMD (Antes Jean-Marie Dubrul), em que, eu era uma pessoa com uma postura desconfortável, pois sentia muita dor nas costas, com uma mobilidade & flexibilidade engessadas e hoje, DJMD (Depois Jean-Marie Dubrul), me sinto livre, leve e solta no andar, no sentir e no respirar! Muitas vezes saía da aula dele com o sentimento de derrota, mas, depois de uma noite com o eco nos ouvidos de suas palavras durante o sono, acordava renovada e feliz!
Suas palavras, pronunciadas com sotaque “frrranco-brrrasileiro arrrranhado” divertem, descontraem e, algumas vezes, nos chamam na chincha!
Jean-Marie tem um jeito, só seu e, “inimitável” de conduzir a gente, a perceber e aceitar nossos limites: vencer a inércia, a preguiça, a chuva, o frio, o calor, o engarrafamento e todas as adversidades da vida de uma metrópole, como o Rio de Janeiro, que sempre valem a pena para somar ao nosso construir diário, com a energia sólida e fluida do Jean ao final de cada aula!
Jean-Marie mexe com nossos átomos e moléculas!
B.B. (Beto Benjamin): Essa história de fotografia começou na barriga de sua mãe? Conte aí…
Nilton: Foi na minha adolescência. O amigo Sócrates, lá na rua onde morávamos, bairro da Saúde, tinha uma câmera fotográfica, uma Beirett – que eu gostava – mas nada ainda que tivesse me tocado. Até que um dia resolvemos sair juntos para fazer umas fotografias. Eu, aos 15 anos, já trabalhava numa empresa – de mármores – lá na Calçada, Cidade Baixa, em Salvador. Trabalhava de dia e estudava à noite, no SENAC, perto da Rua Chile. Feitas as fotos, peguei o filme e levei para revelar no Zito, lá na Rua Chile, 7. Seu moço, três dias depois, quando fui buscar o resultado, um negócio aconteceu comigo!… Minha curiosidade para ver as fotos reveladas era tão grande – mas tão grande – que saí correndo do Terminal da França até a Rua Chile passando pelo Elevador Lacerda. Mas, correndo pra valer mesmo!
A partir daí disgramou ! O bicho me mordeu! [rs]
[“disgramou” é inocente expressão baiana que significa “f…”]. Nota de B. B.
Saí dali para comprar a minha câmera e comecei a fotografar, brincando. Posteriormente comprei uma Yashica “Minister D”, uma câmera mais sofisticada. Comecei a me interessar verdadeiramente pela fotografia, a ter mais curiosidade. Tempos depois, adquiri uma Asahi Pentax Sportmatic II. Rapaz, comprei essa câmera num sábado e fui até terça-feira seguinte dormindo altas madrugadas: experimentando, imaginando as possibilidades e explorando o seu potencial. Era um equipamento maravilhoso para aquela época… Além de fotografar, comecei também a revelar as fotos, comprei um ampliador com “seu” Marotta, da Casa Lamar, e mergulhei de cabeça no assunto. Fotografava qualquer coisa que aparecesse: eventos sociais, festa de amigos. Até que um dia a empresa Magnesita – que era nossa vizinha de sala, e eu no meu segundo emprego no bairro do Comércio – me chamou para fotografar a inauguração do seu terminal marítimo de minério. Ora, se eu ia perder uma chance dessas!?… Pedi permissão ao meu patrão e fui lá fazer as fotos.
Pensei que eles fossem comprar 20 ou 30 copias 20×25 cm. Me pediram entre 300/400 fotos… Aí eu disse: “Vixe Maria … Esse negócio aqui é bom. Tem mercado.” Me empolguei na hora. E continuo até hoje…
Comecei a estudar de verdade a arte da fotografia. Tinha um livro (e tenho até hoje): o “Tratado de Fotografia” de autoria do M. J. Langford. Li profundamente com o maior interesse tudo onde via a palavra “Fotografia”… Queria aprender mas, também, tomar uma decisão: estava estudando – tomando curso pré-vestibular… Entretanto, a possibilidade real de ganhar dinheiro me atraía enormemente e – ao mesmo tempo – me amedrontava tremendamente. A profissão não era estável; ao contrário, era inconstante, insegura… Até que, um dia, fui receber um pagamento no Consórcio Mendes Júnior-Campenon Bernard. Lembra? Você trabalhou lá, na construção das plataformas de perfuração e produção de petróleo para a Petrobras. Foi lá que nos conhecemos. Pierre Lazzaroto – aquele francês que você também conhece – me mostrou umas fotos da plataforma que estava sendo construída e perguntou: “Que tal?” Eu olhei, olhei, virei prá ele e disse: “Pierre, eu faço melhor que isso”. Ele respondeu : “Ah é?” “Então mostre! Faça uma proposta e mande. Prove que faz mesmo”. Aí, não deu outra. Fui lá no canteiro de obra e fiz.
Essa prova para o Pierre não foi muito fácil: tinha que por uma placa com a data da foto na plataforma – numa posição complicada – com um certo ângulo para sair na foto… Ai meu Deus do céu! O fato é que o Pierre me disse, também, que a empresa que fizera as fotos até então estava com problemas e que o Consórcio ainda teria dois anos de trabalho pela frente. Então, pensei: o contrato com o Consórcio me permitiria ganhar muito mais do que ganhava no emprego com o “seu” Zé Vicente – uma construtora pequena que trabalhava com estradas. Lá, eu cuidava da administração e organização fiscal. Tomei minha decisão: optei por não fazer a faculdade. Contei a situação para Zé Vicente, treinei uma pessoa para me substituir e “me piquei”. Curioso é que, mesmo saindo, ele ainda me deu uma gratificação.
Naquela época no Brasil, as Importações eram muito dificultadas. Com o dinheiro na mão, embarquei para a Zona Franca de Manaus, comprei uma Hasselblad e uma Nikon. Fiquei muito feliz com essas aquisições e foi assim que comecei a minha vida como fotógrafo profissional.
Além desse contrato firme de fotografia com o Consórcio das plataformas, logo se iniciava a implantação do polo petroquímico de Camaçari – BA com suas empresas. Fui conquistando os contratos para fotografar a implantação delas. A Cobafi foi a primeira e, daí por diante, vieram CPC, DETEN, BASF, RHODIA, as primeiras obras para a Odebrecht: o Portoseco Pirajá, o Centro Empresarial Iguatemi, a barragem de Pedra do Cavalo… Depois a OAS, CONCIC. Não parou mais. Sempre fotografando obras industriais. Portanto, além de gostar da atividade, consegui obter o necessário conforto financeiro.
Desde que me entendo por gente, tudo que fiz foi sempre com muito esmero, carinho e dedicação. Me faz lembrar os tempos de moleque, ainda quando, entre 7 e 9 anos, consertava bicicleta para meu irmão Vavá, lá em Varzedo. Eu simplesmente não aceitava que o eixo da bicicleta se mexesse: fazia todos os ajustes para que a folga fosse zero. Queria o eixo perfeito – com essa idade. Imagine!
Tem outra história engraçada: com menos de dez anos, morando no interior, eu fabricava uma tal de “batida paulista” para vender. É… Para vender… Acredita? Minha família tinha um pequeno armazém. A mistura era: cachaça, canela, cravo, mel e limão. Eu fazia, experimentava, deixava “naquele ponto” e colocava para vender no armazém. Como é que pode um garoto – com menos de dez anos – fazer um negócio desse com tanta dedicação, e ainda mexendo com álcool? Pois é. Saquei que a zorra “tava” dentro do meu DNA. Queria fazer sempre o melhor. Não aceitava qualquer coisa.
Fui um adolescente muito solitário. A fotografia foi minha amiga e minha namorada querida, pois, naquele tempo, minhas conversas não tinham retorno. Claro, existiam as namoradas mas não era paixão. Os amigos também não davam retorno às minhas idéias. Lembro, também, a onda dos anos 1960: toda aquela musicalidade, os Beatles com sua música harmônica e envolvente. A Jovem Guarda!… Adorava tudo aquilo e já morava em Salvador. Vim para cá com dez anos.
A fotografia foi, é e sempre será uma paixão!
Quero falar sobre uma das coisas de que me arrependo profundamente: viajei o Brasil inteiro – trabalhando para a Odebrecht e para a OAS – e não fotografei tudo o que deveria… Pode? Fui a todos os estados brasileiros – menos os 3 territórios lá de cima – e perdi a grande oportunidade de clicar tudo o que estava lá embaixo, nos muitos voos que fiz. Atribuo essa falha clamorosa à minha cabeça fechada daquela época. Óbvio que devia ter registrado tudo por onde passei. Salvador, então (a cidade que vivo), nem falar!… Evidente que as empresas que me contrataram não estariam gastando nada adicional se eu tivesse – de passagem – feito as fotos. Em Salvador, só registrei as regiões do Iguatemi, Itaigara e Magalhães Neto. Por que zorra eu não documentei tudo mais?!… Sempre me pergunto. O Horto Florestal?! Veja hoje como está!… A Pituba e tantas outras áreas metropolitanas?… A boa notícia é que, há tempos, consertei esta minha falha… Agora, ao passar por cima, luz bonita, sem nuvem para manchar, sem custo adicional para o cliente, meto o dedo e passo a zorra, fotografo tudo…Algumas vezes – em eventos especiais – eu mesmo banco a contratação do helicóptero, como na inauguração do estádio da Fonte Nova, em dois carnavais, na regata de Saveiros … Ah! Adquiri, com dois amigos, recentemente, um Drone de 8 hélices com Canon 5D III. Fique tranquilo, que seguiremos as normas da ANAC.
Arquivos de fotos gravados e seguramente armazenados. Pronto. São quatro HDs em dois locais diferentes. Só perderei se cair um meteoro sobre Salvador ( Deus nos livre!…). Lembrei: nem se isso acontecesse! Pois em junho de 2014 levei mais um HD de 3TB e deixei em Londres com o meu filho Joás. Ficou lá, lacrado, dentro de uma excelente mala Pelikan. Toda a história está lá armazenada. Se tivesse feito deste o inicio – trinta e nove anos passados -, teria um documento “super” histórico da cidade de Salvador e de muitas cidades brasileiras. Como dizia minha avó Libânia: “Agora é tarde e Inês é morta”.
Nessa longa caminhada na fotografia, devo registrar também que a minha cabeça se abriu. Vejo coisas hoje que não via antes, compreende? Por exemplo: está vendo aquela foto – ali na parede – com duas lagoas secas? Fotografei no Vale do Capivara, perto de Salvador. Ia passando de helicóptero, bati o olho, enxerguei a cena e “pimba”: cliquei. Olha o que saiu depois!? Estranho e diferente não é mesmo? Fiquei até com a impressão que era o “Olhar da Natureza” me surpreendendo [rs]. Não é interessante?
Está vendo aquela outra foto, daquele navio, lá, perto da porta? [“Navio Entrando no Porto de Salvador”. Abaixo]. Pois bem, considero aquela foto uma sintonia quântica ou cósmica. Sorte. Sorte. Sorte. Conexões inexplicáveis: estar lá em cima na hora certa e aparecer aquilo na sua frente: o arco-íris. É para se encantar mesmo, não é? Naquele dia – me lembro como hoje: o cliente ligou à tarde, todo afobado, e ordenou: “Você tem que fotografar os três navios entrando no Porto amanhã às sete da manhã, viu? Não pode falhar”. O céu, justo naquele dia, amanheceu todo nublado. Então, eu disse para mim mesmo: “Meu Deus, como vou fotografar dessa maneira e atender ao cliente com uma foto de qualidade?” Não tendo outra alternativa, peguei o helicóptero e subi.
De repente, um buraco se abre nas nuvens, o horizonte azula, surge um belo arco-íris sobre o navio e luz em cima dos prédios junto ao porto. Você gostou do resultado? Eu achei fantástico. O cliente, fascinado!
B.B.: A que você atribui essa conjunção de fatores que, de repente, acontece nas suas fotografias?
Nilton: Minha mãe falava há cinquenta anos atrás – inclusive, está rolando isso de novo – sobre o poder do pensamento positivo. É acreditar e ir conferir. Faço sempre, nem titubeio. Aquela outra foto do saveiro, mais uma vez foi assim: subi, peguei o helicóptero por minha conta; de repente, o vento vem, sopra e parece que surgem desenhos atrás que jamais imaginei. Acaba sendo uma coisa mágica, que me deixa encantado.
No livro que publiquei agradeço as coincidências: as que aconteceram e as que acontecerão na minha vida.
B.B.: Você é daqueles que pensam que quem procura acha?
Nilton: Certamente… [rs]. Mas acho que tem que ter a “Força”. Não pode pensar que vai dar errado. Tem que acreditar que vai dar certo. Digo sempre ao Dourado, meu parceiro do drone: ” Rapaz esqueça: Duvidar para que? Tem que pensar que vai dar certo, que vai dar certo e que tem que dar certo”. Tudo aqui na Terra, na essência, é partícula. Energia. Aqui, na nossa cabeça mesmo, são só conexões, sinapses… Veja! O livro que você me indicou: A Ilha do Desconhecimento de Marcelo Gleiser, achei muito interessante. O Gleiser é um cientista de cabeça aberta. Amo o dizer: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”, dito há tanto tempo por ninguém menos que William Shakespeare. Acredito nisso piamente.
B.B.: Você encontrou nas empresas, pessoas que souberam reconhecer e valorizar o seu trabalho, além das questões meramente comerciais de preço de um serviço?
Nilton: Posso afirmar, sem dúvida alguma, que sempre encontrei pessoas que reconheciam o valor do meu trabalho. Você mesmo – Benjamin – é uma delas …Houve muito isso! Posso me orgulhar de uma coisa que me dava e me dá muita alegria: eram os clientes que me procuravam. Comentavam entre si, trocavam figurinhas, passavam as impressões de um para o outro – o famoso boca a boca – e, para minha felicidade, acabavam vindo a mim.
Atualmente, com o avanço da tecnologia, as facilidades de ter uma boa câmera, fotografar, reduziu um pouco o volume de procura por esse trabalho. Também tem o padrão de exigência: Brasil. Já notou quantos prédios e colunas verticais são fotografadas de forma torta, caindo para o lado? Arquitetos com quarenta anos de historia, livro cheio de patrocinadores, belos projetos e a maioria das fotos horrivelmente tortas. Não consigo entender! Posso também afirmar – sem falsa modéstia – que atingi um padrão de qualidade que não vale a pena sair para fotografar qualquer coisa a qualquer preço.
Surgiram outros métodos de divulgação da fotografia , e tenho que estar atualizado, planejando sempre os próximos passos. Estou aqui mas sempre organizando, pensando nos livros – devem sair mais dois este ano – no site, em meus painéis para decoração de ambientes e em outras criatividades. Devo permanentemente estar sintonizado com a evolução.
B.B.: Como foi que você passou de fotógrafo de obras industriais para fotógrafo da vida, da natureza, das cidades, das pessoas?
Nilton: Lembra que certa vez lhe disse: a minha mente fez “BUM!”, abriu-se. Pois é… Eu não “enxergava além”, só mirava a obra ou a indústria a ser fotografada. Via apenas uma única direção: tenho que fotografar o desenvolvimento da obra, da fábrica tal e pronto. Eu não parava para olhar ao meu redor. Era só a missão contratada. Foram muitos voos em helicópteros e aviões: três, quatro, seis horas num helicóptero e a possibilidade de erro tinha de ser zero.
O tempo passa… A minha preocupação com a prata utilizada nos filmes acabar – estou me referindo ao metal – e “adeus filme” (dá para acreditar?) foi superada com a chegada da captura digital e, simultaneamente, a abertura da minha cabeça. Comecei a ver, a enxergar além.
Outro dia estava, passando pela Av. Vasco da Gama, olhei para o lado e vi, na raiz da árvore, uma certa forma sensual. Pode? Ainda bem que estava com a câmera perto. Recentemente adicionei em meu novo site, uma área chamada “Galeria”. São as minhas criações via cabeça mais aberta: detalhes dos saveiros e outras abstrações. Estou tratando e selecionando fotos para fazer um livro com as que considero mais criativas, mais pessoais. Tenciono enviar para certas galerias no Brasil e mundo afora, para serem analisadas. Ver se meu olhar, minha forma de enquadrar, de criar, tem condição de um reconhecimento mais abrangente. Além do mais: livro é livro ! Cada um tem sua maneira de fotografar: borrado, tremido. isso é a visão do artista. Nas minhas fotografias procuro sintonizar com o “Código Secreto” – o livro do Priya Hemenway – uma fonte de sabedoria. Procuro fazer com que a composição da foto seja agradável para os olhos. A Mãe Natureza usa formas mágicas. Então isso requer uma grande dedicação, e também sensibilidade. Quer ver uma coisa deste mundo moderno? Alguém faz uma foto completamente sem foco, sem enquadramento, nem nada… Mas foi o famoso fulano de tal quem fez: é a arte. Chama-se “Arte Contemporânea”, do fulano de tal. Bem, não é o meu ponto de vista, não é minha linha!
A minha arte é outra: é o meu olhar criativo de hoje com toda a técnica que aprendi e continuo a aprender no dia-a-dia.
B.B.: Como foi que você fez essa transformação. O que foi que despertou essa mudança?
Nilton: A mudança está totalmente alinhada à tecnologia digital. As incríveis possibilidades quando se captura com, pelo menos, 14 bits, logicamente em arquivos RAW. Vejo, sintonizo, enquadro e clico. No meu monitor – capaz de mostrar 99% do Adobe RGB1998 devidamente calibrado situado numa sala com luz ambiente de 5000K sem interferência da luz externa – começo finalmente a polir o diamante digital.
Me ponho a pensar: “Puxa isso aqui – o céu -, eu posso aumentar a densidade só do azul, clarear só o verde das árvores; posso aumentar esse contraste, buscar detalhes nas sombras. Porque nosso olho tem uma limitação, dependendo da quantidade de luz. Nossa íris abre e fecha. Abre e fecha. Se tem muito brilho a íris fecha. Só que a câmera, além da íris – do abrir e do fechar – tem velocidade da captura, regida pelo obturador sob a sabedoria do fotógrafo. Nosso olho não tem velocidade ou obturador. O piscar é pura lubrificação.
As câmeras mais modernas com captura em 14 ou 16 bits ( 14 bits significa 16.384 tons e 16 bits 65.536 tons ) permitem dar um tempo de exposição mais longo. Hoje temos menos “ruído” nas áreas escuras. Pode-se também trabalhar com múltiplas exposições, buscar detalhes nas áreas mais claras ou nas áreas mais escuras. Para fazer tudo isso tem que saber como manusear a câmera no momento da captura. Não pode permitir que a câmera faça apenas o que foi programado pela engenharia do fabricante. Quando o ambiente exige, tem que ser mesmo na forma “Manual”. Os arquivos capturados em formato RAW são em estado bruto e, assim, quanto mais conhecimento técnico no momento da captura, melhor. Assim tem-se um poder extraordinário para buscar detalhes nas zonas mais claras ou mais escuras. Ou seja: ir aonde sua habilidade, competência, experiência e sensibilidade lhe conduzirem. Pensando bem… tem também o estado de espírito.
Ontem, mesmo, eu fotografava a Regata João das Botas. De repente, o céu estava azul, o mar estava azul. Daqui a pouco o mar estava verde, o céu cinza, nuvens carregadas, chuva e o mar verde. O que é isso? É a natureza. Liguei para uma bióloga minha amiga e perguntei o que era isso? Ela respondeu: são as micro-algas. Pois é. É a natureza.
Mês passado, estava na avenida vindo para cá, pela manhã, e de repente vejo uma árvore – com suas folhas novinhas – com um belo, brilhante e explosivo verde. Noutra passada – sem a bela luz incidente – o verde das folhas tornou-se um verde simples. Ora, tem que estar ligadão para sacar. A pessoa olha a fotografia e diz: Ah, você exagerou. Você interferiu com o Photoshop naquela foto com os nove saveiros juntos… O que foi que eu fiz? Nosso olho num dia nublado, vê a nuvem cinza. Naquela foto com esses nove saveiros, tive a sorte mágica – “a conjunção astral” – de, naquele momento, entrar uma luz. Tudo nublado, e magicamente entrou uma luz em cima deles. Eu, centrado, cliquei. A tonalidade das nuvens em tempo nublado – ou na sombra – capturada pela câmera, tende para o azul. Só que nosso olho não enxerga tal azul, mas cinza, cinza claro, cinza escuro. Então, o que eu fiz? No computador, selecionei as nuvens, eliminei a saturação azulada e harmonizei-as com o olhar… só isso. Ainda me dizem em tom de elogio: “Parece uma pintura”! Uaaaaauuuu !!!
Simples. Mas, o fazer – a alegria de ter o resultado – é tudo.
B.B.: Quer dizer que a luz é o Deus da fotografia ?
Nilton: É a magnifica presença DELE. Quando li sobre a teoria das cordas, quis ir mais fundo… Quando eu escuto a Karen Marie Garrett tocar “The Allure Of Sanctuary” (https://www.youtube.com/watch?v=_pFfWDEDzpM) sinto uma paz incrível… Os acordes são deliciosamente pacíficos e harmoniosos. Escutar uma música dessas é entrar em sintonia com DEUS.
Outro dia, estava ouvindo uma música e, de repente, meus pelos se eriçaram. O que houve? É emocionante. Pura emoção. Ouvir a música e se arrepiar. Tem mais: em outra ocasião no carro, estava indo para o sítio, sozinho, ouvindo música e tive que gritar: “Ahhhhhhhhhhhh”. Aquilo ali era doce energia, pura emoção. Tive que soltar, alegremente aqueles gritos, acho que foram uns três. Vejo um lado assim. O outro lado que vejo como resultado da fotografia, é o que chamo de: “boa energia monetária” .
A energia monetária que vai para a conta bancária que, através de numerozinhos – via senhas -, me permite adquirir saborosos queijos, vinhos, alimentos saudáveis, viajar, o que quer que seja… foi gerada por alegrias e satisfações. Isto é magnifico! A Deus eu agradeço por tal contemplação, tal felicidade. O conforto material, que tenho e desfruto com minha adorável Teresa, é gerado por uma alegria positiva das pessoas que recebem os resultados. Enxergo tudo isso como um ciclo que se completa.
Outro dia, um grande cliente encomendou-me cem fotos para dar de brinde para seus clientes especiais. Logo, ele disse:” Pode mandar uma fatura de 50%.” Eu falei: “Não! Espere aí: Quando você receber, veja se gostou. Depois mando a cobrança.” Para mim, o meu trabalho tem que ser transformado em alegre energia, em satisfação para o cliente…
A entrevista continua no próximo post: A Entrevista – Parte III. A seguir algumas fotos.
GALERIA DE FOTOS POR NILTON SOUZA
- Saveiros em Bordejo no Paraguaçu – BTS
- Velas dos Saveiros
- Velas Coloridas – Saveiros
- Saveiro – Detalhe – Baia de Todos-os-Santos
- Reflexos do Saveiro
- Saveiro – Detalhe – Baia de Todos-os-Santos
- Cidade do Salvador
- Salvador / Carnaval 2015
- Cidade Baixa e Quebra-Mar
- Porto de Salvador
- Forte São Marcelo
- Elevador Lacerda e Cidade Baixa
- Av. Tancredo Neves – Salvador
- Porto de Salvador – Carnaval 2015
- Cidade Baixa ao Por do Sol
- Av. Oceânica – Salvador
- Estádio da Fonte Nova
- Plataforma P59
- Navio Eagle Paraiba
- Chuvas no Bairro da Ribeira
- Transparência do Rio Capivara
- Transparência do Rio Capivara
- Chuva no Verniz – I
- Mangue Seco – Bahia
- Natureza vista do Ar
- Vale do Capivara – Bahia
- Foz do Rio Paraguaçu – Baía de Todos os Santos
- Chuva sobre o mar
- Cordas de Atracação – Saveiros
- Partida de Regata Saveiros.
- Saveiro Solitário
- A Solidão da Árvore
Conheci o Nilton Souza nos idos de 1976 quando, recém-formado, eu trabalhava num projeto de engenharia – avançado para aquela época no Brasil – onde, um consórcio franco-brasileiro construía num canteiro na Baía de Aratu, na Bahia, três plataformas de concreto para a Petrobras, que posteriormente seriam rebocadas pelo mar e, instaladas nos litorais do Rio Grande do Norte e Ceará. Fiz, até, uma viagem a bordo de uma dessas plataformas, mas isso será objeto de um outro post, qualquer dia desses, pelo inusitado e divertido da aventura marítima.
O caboclo Nilton, me chamou logo a atenção pois, era um dos poucos que tinha aparecido no canteiro de obra que, poderia disputar – com grande chance de vencer – o torneio de “magreza”, do qual eu me julgava, líder absoluto. Fazíamos parte, de um grupo de gente magra, em Salvador – mas, bote magra nisso – liderados naquela época tropicalista por Caetano Veloso e Raul Seixas. Mas, não foi só isso, que despertou a minha atenção: ele, tinha uma maneira empolgada de falar – gaguejando levemente – quando se entusiasmava, porém o mais impressionante era, o que ele mostrava: as suas fotografias.
Havia certamente algo diferente, no seu trabalho e, era difícil dizer – de primeira – o que era.
Suas fotos tinham “um brilho”, enchiam os olhos de satisfação e, apresentavam uma qualidade incomum. Na foto, a plataforma parecia querer “saltar” do papel e, entrar na vida real, como se já não bastasse existir, no mundo concreto, com o perdão do infame trocadilho! Devo avisar aos amigos que, assim como os uerês, os trocadilhos, também, me perseguem… Desde que, menino ainda, descobri o seu significado.
Assim, nasceu uma amizade entre um fotógrafo-artista e, um apreciador das coisas do mundo, que resistiu todos esses anos e, permanece firme e forte. É verdade que, com o passar do tempo, nos distanciamos – viajei também muito pelo mundo – mas, reencontrar Nilton, ao longo da vida, era sempre motivo de grande alegria. Não faltava assunto e, ríamos muito: das coisas, das pessoas, de nós mesmos e, sobretudo, dos acontecimentos pitorescos, da nossa querida Bahia.
Passados todos esse anos, o caboclo, assim como eu, ganhou uns quilos a mais e saímos – com louvor – do rol dos “super” magros. Nilton, se desenvolveu profissionalmente, incorporou, ao longo do tempo, todas as mudanças tecnológicas dos equipamentos fotográficos – que ele fazia questão de estar na vanguarda -, desde que, se meteu no ramo. Imagine que, foto ainda se chamava retrato e, câmera, máquina fotográfica!…
Pois bem, tudo isso incorporado e, devidamente dominado – usando um termo atual -, soube cuidar de sua sensibilidade como poucos e, de um simples fotógrafo industrial, transformou-se num artista visual, de primeiríssima linha. O julgamento, não é só meu: suas fotos estão aí, para quem quiser ver e apreciar. Pois é, quem diria que o caminho seria assim? Ninguém sabia, nem o próprio. Mais uma vez, o refrão se aplica: Nunca se sabe… Ainda se emociona – do mesmo jeito de 40 anos atrás -, quando se depara com algo extraordinário: seja a foto de uma pessoa, de uma indústria ou, de uma paisagem. O leve gaguejar, também, não mudou…
A ideia de entrevistá-lo, expor o que pensa, sua história de vida, o que é importante para ele e, em especial, mostrar um pouco do seu trabalho, veio naturalmente e, tenho certeza, que vocês poderão saborear sua linguagem simples, sem floreios e, ainda, se deliciar, com as verdadeiras “obras de arte” retiradas de parte do seu imenso trabalho, como fotógrafo e artista. A conversa que postarei em nosso próximo encontro, nesse espaço de vivências, ocorreu numa tarde, do festivo mês de janeiro de 2015, em São Salvador, capital da Bahia, estado onde dizem, que as pessoas não nascem: estreiam…
Para dar um gostinho do que está por vir, ilustrando a entrevista do próximo post, veja algumas das maravilhas, capturadas por Nilton. Até logo mais.

Claudia Corbisier
Claudia Corbisier: Em 2003 andava procurando uma referência de aulas de dança. Uma amiga pernambucana arretada, bem irreverente, por acaso me disse que sua filha estava fazendo aula com um tal de Jean-Marie e que estava adorando! Logo depois fui almoçar no japonês do Shopping da Gávea, e avistei um homem muito interessante, com jeito de francês, numa mesa com algumas pessoas. Pensei na hora; é o Jean-Marie. E era. Fui falar com ele, me apresentei e disse que começaria a fazer suas aulas. Naquele momento cósmico não sabia que ele seria um marco em minha vida. Hoje, antes e depois de Jean Marie. Peço a ajuda do filósofo Baruch Spinoza para falar sobre a experiência de fazer as aulas de alongamento e de ballet clássico do Jean-Marie Dubrul. Spinoza fala que “os bons encontros potencializam o corpo e alma”. Do meu ponto de vista, nenhuma frase definiria melhor o que acontece quando Jean entra em nossas vidas. Com seu jeito francês já tão abrasileirado que muitas vezes não sabe mais qual é a língua que está falando. Talvez por isso, tenha criado um quase dialeto que nos diverte e encanta a todos.Movimentos. Fluxos. Palavras. Gestos. Música. Tudo isso em harmonia potencializa nossas vidas de maneira inenarrável. É preciso viver a experiência. Mesmo pra quem gosta das palavras e trabalha com elas como eu faço, tenho sempre muita dificuldade em descrever o que acontece nos encontros, sempre únicos, com nosso professor de dança e de vida. De novo. É preciso experimentar. E mudar a vida para sempre.
David Pinheiro
David Pinheiro: Essa aula, esse trabalho mudou a minha vida. Há 5 anos atrás eu era outra pessoa. Estava em casa, assistindo a um Festival de filmes que tem no TCM chamado “os cem filmes que você devia ver antes de morrer“. Um deles, era um filme muito antigo, americano, que contava talvez a história da primeira família do “show biz” na Broadway. Um ator muito conhecido por nós aqui, que não estou lembrando o nome. Era conhecido como “inimigo público número 1” mas, era um grande dançarino. Vi aquele homem no filme já numa idade mais avançada, dançando. Então disse para mim mesmo: O que é que eu estou fazendo aqui que eu não vou para a aula de dança ali em cima na Sauer? Isso foi em dezembro de 2009. Estou aqui até hoje. Sou outro homem. Mudei minha concepção de vida, a maneira de encarar o meu trabalho. Claro que isso me trouxe também modificações que me criaram complicações na relação com a vida, com o meu cotidiano. Mas, me tornei outro homem. A minha voz mudou. Tudo meu mudou. Foi fundamental. Atribuo isso a uma mudança, primeiro na respiração. A profundidade da respiração. Ela faz com que você se tonifique, se re-tonifique diariamente. Se você prestar bem atenção se respira profundamente em cada aula pelo menos umas 200 vezes. Isso já modifica completamente sua história interior. A relação com o espaço, a segurança, o equilíbrio. Eu faço (ballet) clássico então estou trabalhando bastante – depois de velho, que eu tenho 64 anos, não sou nenhum garoto – vários lóbulos no meu cérebro. Estou num espetáculo agora que melhorei mil por cento como ator. Eu represento com todo o material adquirido aqui com o Jean-Marie. Isso vale para o corpo, para o espaço, com o público, na relação. Debito tudo isso à dança. Acho que é dançar para não dançar. Isso é fundamental.
Vera Gertel
Vera Gertel: Faço esse trabalho por duas razões: saúde e estética. Hoje não há em parte alguma do mundo um médico que não recomende às pessoas fazerem exercícios físicos. É bom para tudo: para a idade, para não enferrujar, para o coração, para a respiração, para uma série de coisas. Claro que há uma razão estética também. Ninguém gosta do que é feio. Então existe uma tendência quando a pessoa envelhece para engordar, porque o metabolismo é mais lento. Todos gostam de conservar o corpo e a musculatura etc. A diferença entre uma musculação comum e a aula de Jean-Marie é que aquela para mim é muito tediosa pois se trabalha cada músculo separadamente. Você fica lá. Vai mexer o braço. Aí uma, duas, três, quinze vezes… Abdominal, não sei quantas vezes. Você está mexendo só o braço, só o bumbum, só o abdômen, tudo muito separado e mecânico. Não há emoção naquilo que você faz. Não há uma consciência corporal no exercício que você faz na musculação. Enquanto que o trabalho de corpo generalizado – como é o caso do método do Jean-Marie – é um auto-conhecimento do seu corpo.É impossível fazer a aula do Jean-Marie se não tiver consciência corporal. Se não estiver ligado naquilo que está fazendo. Então acho que chamar de Alongamento é muito pouco. Porque na aula do Jean, o método é o seguinte: você trabalha durante uma hora, uma hora e pouco o corpo todo, quer dizer do fio do cabelo até a ponta do dedão do pé. Sem parar. O tempo inteiro você está mexendo o corpo todo. Isso para mim é o mais importante. É a única aula que mexe com a musculatura das costas. Eu fiz muitas aulas de musculação durante muito tempo e não conseguia mexer com a musculatura das costas. Aqui mexe em tudo. Acho as pessoas – que fazem a aula com Jean-Marie – muitos especiais, vão logo criando uma amizade. Porque não é qualquer um que entende esse método. Por isso acho que as pessoas novas que chegam deveriam pelo menos primeiro experimentar. Ter uma primeira aula gratuita para conhecer o método corporal dele. Ver se gosta. Ele costuma chamar de preparação para a dança. Acho que é mais isso que alongamento. Você faz uma esforço monumental na aula sem parecer, sem se dar conta e num ritmo de tai chi. Sem perceber. Porque todos os movimentos são muito lentos mas, exigem muita força. Não é todo mundo que se adapta a fazer um exercício que é lento. Não é qualquer um que gosta do roteiro musical que ele proporciona – que é excelente – mas não tem nada a ver com heavy metal!
Apresento a seguir os primeiros depoimentos dos alunos do Jean-Marie Dubrul: Ernani Torres, Ana Marta Veloso e Carla Do Eirado. Para não cansar o leitor, as impressões foram divididas em séries com 3 depoimentos por post. Outras opiniões virão posteriormente:
Ernani Torres
Ernani: Eu vim para cá porque tive uma crise de sacro-ilíaco. Fui tratar com RPG que deu uma boa segurada mas percebi que tendo em vista o “avanço etário” eu precisava de algo mais preventivo, e aí a Ana e você já estavam vindo aqui para o Alongamento, falei com minha professora de RPG que disse: “Olha, nós de RPG somos muito bons em alongamento mas, os bailarinos são os melhores… Risos…” Aí eu vim e em 15 dias melhorei muito.
Acho que se não tivesse tido uma entrada tão objetiva assim, eu não teria vindo. Já estou fazendo o trabalho há 3 anos e vejo hoje como uma coisa de prevenção e também de relaxamento. Dar uma relaxada de manhã é bom, não é ruim não… já está incorporado na minha rotina de vida e quando não faço, não é o fim do mundo: Não é uma coisa vital para mim, mas é uma coisa legal. Venho porque é legal, dá prá dar uma desacelerada boa.

Ana Marta
Ana Marta Veloso: É um momento de dar uma “paradinha” no corre-corre do dia a dia. Respirar profundamente e entrar em contato com coisas que a gente não tem oportunidade na vida normal. Para mim, é um resgate muito legal de coisas que fiz a vida inteira: fiz ballet dos 5 anos de idade até uns 20 e tantos… Não imaginei que fosse conseguir fazer de novo. Descobri aqui que é possível. É possível. Tem que, obviamente, se dedicar. Vir com frequência mas, depois se observa que seu corpo começa a relembrar os movimentos.
Há momentos inclusive de muito prazer. É uma hora do dia para fazer uma atividade extremamente prazeirosa e não só individual. Também, o contato com o pessoal daqui é muito divertido. Esse lado lúdico, a gente não tem no dia a dia. Até resgata uma coisa meio criança, assim, numa boa, de se divertir fazendo algo com o corpo…
É um trabalho diferente pela heterogeneidade das pessoas e também ver como o nosso mestre consegue trabalhar todo mundo, fazendo com que cada um dê o melhor de si. Aqui o público é muito diferente, em termos de idade e até de objetivos. Veja: a conversa do Ernani não tem a nada a ver com o que aconteceu comigo. São enfoques muito diferentes, mas muito parecidos até no sentido de se buscar um trabalho que faça bem ao corpo e à mente, além do prazer. Entretanto, é o talento do mestre que faz a diferença.

Carla Do Eirado
Carla Do Eirado: Esse espaço é uma espécie de refúgio da avalanche que é o meu dia-a-dia. Um momento que tenho para dedicar a mim mesma. Minha trajetória na dança foi complicada e sempre me senti deslocada. Achava que meu corpo não era bom para dançar. Ele é bem abrasileirado. Já passei por outras academias e vejo como é importante ter o apoio não só de um bom professor – tecnicamente falando – mas, de alguém que seja observador, cuidadoso e amoroso como o Jean. Também acho ótimo fazer parte de uma turma que esteja buscando algo mais que uma simples aula de alongamento ou de ballet.
Aqui é um lugar onde sinto a unidade do meu ser. Sempre tive a sensação de trabalhar demasiado com a cabeça, de estudar muito, fazer trabalho intelectual. Por isso tive a necessidade de ultrapassar essa limitação, conciliando e fazendo o casamento entre o que penso e o que faço corporalmente. Isso tem tudo a ver com o que acontece aqui. Para mim cada dia é um recomeço e prometo a mim mesma estar aqui. Não é fácil. É uma escolha.
Além de vivermos fragmentados de um modo geral, temos também que suportar e aceitar as frustrações decorrentes dos limites do corpo. Achar que só porque pensou, vai executar? Não é assim que acontece. Quando se faz dança ou qualquer outro movimento corporal – especialmente o ballet – se lida com outra realidade. Não é “tão cabeça” e o corpo não é tão fluido. É preciso preparar e trabalhar o corpo. Aqui se aprende a retomar o corpo que se é.
Faz todo o sentido quando o Jean fala: “observar, decodificar e reproduzir”. Observar o movimento não é suficiente para realizá-lo. É preciso descobrir os caminhos que o corpo pode fazer para realizá-lo. Isso representa um desafio enorme e certamente se transforma numa prática de vida. Aqui também é um lugar espiritual. Muitas vezes procuro sentir o movimento e o que ele poder trazer de positivo para mim e para o mundo. Como isso me faz tão bem, me pergunto sempre de que maneira poderia compartilhar com os outros os benefícios que me traz?
Estou aberta para a vida e busco levar adiante o estado de espírito que consigo obter aqui. As palavras não esgotam o sentido dos acontecimentos. Cada aula de alongamento com o Jean é indescritível porque nos conduz a outras dimensões: do sensível, do afeto, do toque, do estar com o outro, do encontro. Tenho vivenciado aqui coisas preciosas. Devo dizer que é raro hoje em dia um espaço onde as Pessoas se dispõem e tornam possível essa convivência. Diferente de outras Academias de Ballet: não há competição, não tem um querendo suplantar o outro. Vejo todos empenhados na busca de si mesmo e dos outros. O objetivo é se desafiar, se superar, estar junto, sorrir e olhar.
Ele às vezes diz: “Olha! Olha! Faz o movimento. Olha o espaço. Se posiciona. Olha quem está à sua volta.” São ensinamentos para prestar atenção ao espaço e à vida. Olhar quem está à volta e ver o que está acontecendo. Vivemos dentro de um corpo mas a nossa pele não nos separa do mundo. Ela tem poros e o ar do mundo está sempre respirando dentro de nós. Somos seres de relação e de comunicação. Para mim a dança é uma prática: praticar o coletivo. Sem os outros somos nada.
Nunca se Sabe 










































